:: Apresentação  
 
 
 
 
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
 
   

Semana Social Arquidiocesana - 2003

Espiritualidade rima com comunidade. Em todos os sentidos. Na Semana Social 2003, realizada no final de abril, os três palestrantes convidados percorreram caminhos diferentes em suas apresentações, mas chegaram à mesma conclusão: o exercício da espiritualidade pressupõe a interação com o outro.
O bispo auxiliar D. Dominique You foi o primeiro a falar a uma platéia de cerca de 80 pessoas, reunidas no auditório da Ucsal, no campus das Dorotéias. Valendo-se de frases de reflexão e de histórias reais vividas na Comunidade dos Alagados, onde atuou por muitos anos, ele centrou seu discurso na espiritualidade da pastoral social.

Inicialmente, lembrou que a mística é o grande diferencial entre o trabalho social de uma pastoral e outro tipo de trabalho social, como o que é feito pelo governo ou por uma ONG. Em seguida, falou sobre as exigências de um trabalho de pastoral. “Uma primeira condição é que nos deixemos enviar, e desçamos junto aos homens e mulheres mais feridos para vivermos com eles e servi-los com o jeito de Jesus.” A segunda condição (que Cristo aja no meio de nós) pressupõe um trabalho comunitário, coletivo, e não de indivíduos agindo separadamente.

Na opinião do bispo auxiliar, aqueles que trabalham na pastoral social são privilegiados, pois vivem uma aventura fascinante: conseguem se deslumbrar diante dos pobres de coração, algo que a sociedade de consumo atual não sabe fazer.

“Cristo está vivo ontem, hoje e amanhã, na criança desarmada diante dos sofrimentos da vida, mas que entrega sua vida a Papai do Céu. Ele está vivo e ativo no pai de família que recusa ganhar dinheiro escondendo em sua casa o dinheiro dos traficantes. Ele está vivo e cheio de amor na mãe de família que teve oito filhos, perdeu três e cria mais três. Ele está vivo e ama no coração do jovem que se abre para uma experiência autêntica do amor...”

Palestrante da última noite, o Pe. Emanuel Maria, da Congregação São João, retomou a questão da indiferença de nossa sociedade e declarou “Diante de tamanha desfiguração da pessoa, a única alternativa encontrada é a de buscar em cada um o que permanece humano dentro de uma realidade que é profundamente desestabilizadora.” Ele também trouxe relatos de experiências vividas em comunidade, particularmente a do conjunto de favelas do Alto da Boa Esperança.

“No Alto, vimos o efeito catalisador de um grupo de adolescentes, em que os jovens encontram a possibilidade de viver amizades mais verdadeiras num clima de confiança. Vimos também como a construção da capela pelos homens da comunidade permitiu o desabrochar de várias pastorais. Fruto de um longo trabalho: o de criar laços de grande confiança com as pessoas a quem as lideranças serão atribuídas.”

Em total sintonia com as palavras de D. Dominique, Pe. Emanuel lembrou que não há comunidade de agentes sem cooperação e que cooperar não se reduz a “estar juntos” nem a “fazer a sós”. Quer dizer “fazer juntos, com os outros”. Disse ainda que no Brasil, não pode haver santidade sem uma presença real junto aos mais necessitados.

Os dois conferencistas citaram, em suas apresentações, a necessidade de se enfrentar as estruturas de pecado, presentes na legislação, na mentalidade, nos costumes educativos, entre outros. E como num coro afinado, falaram também do episódio do lava-pés de Jesus, símbolo do estar a serviço de Deus. “Inclinar-se para lavar os pés de alguém é o gesto do serviço mais humilde que se possa fazer em favor da parte mais baixa do homem.” Os muitos significados
A leiga Mariângela Risério D’Almeida, representante das Missionárias da Fraternidade Cristã, discutiu, na segunda noite, o sentido da palavra espiritualidade. “Para muitos, é sinônimo de algo distante da vida real, inútil”, disse, lembrando as palavras de D. Pedro Casaldáliga. Também repetiu as do Apóstolo Paulo, para quem “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14).
Intercalando essas definições com suas experiências enquanto leiga, Mariângela prosseguiu falando do significado da espirutuaolidade em diferentes contextos.

No plano semântico, ela disse que a palavra inspira vida, construção, força, ação e liberdade. Disse ainda que na Bíblia, a espiritualidade pode ser profética (com teor de denúncia e indignação) ou contemplativa (viver com intensidade cada momento).
E demonstrando consenso com os colegas palestrantes, também declarou: “Espiritualidade é uma realidade comunitária; é como a consciência e a motivação de um grupo, de um povo.”


Pe. Emanuel Maria
Veja a íntegra
da palestra

Dom Dominique YOU
Veja a íntegra
da palestra


Mariângela Risério D’Almeida
Veja a íntegra
da palestra

 
 
 
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