|
Semana Social no ano de comemoração dos 15 anos de Grito dos Excluídos teve como proposta a descentralização da Semana Social, fazendo com que os anseios, gritos, necessidades, esperanças, se aproximassem dos excluídos/as, levando para os mais diversos bairros de Salvador.
A proposta foi acolhida por várias comunidades, movimentos e pastorais, apresentando os seguintes temas:
- ACOPAMEC (Assoc. das Com. Paroquiais da Mata Escura e do Calabetão) - Violências e Banalidades;
- Paróquia N.S. de Guadalupe - A violência e suas dimensões.
- Pastoral Carcerária / Egressos - Vida para todos, em todos os sentidos.
- Comunidade de Pau da Lima - A Violência nos Bairros.
- Igreja da Santíssima Trindade - Comunicação Social e Segurança nas ruas
Veja como se deu algumas atividades.
A mística de abertura da Semana Social, foi marcada pela Memória dos 15 anos do Grito, e pela palestra do Padre Antonio Joaquim sobre “O profeta Amós e os desafios da atualidade”. Nos dias seguintes da abertura, as pessoas dirigiram-se aos locais onde estavam acontecendo as atividades.
ACOPAMEC
A ACOPAMEC convidou a juventude do bairro, a refletir sobre o seu papel no meio em que vive e suas atitudes.
A atividade teve início com Suemys Pansani, ressaltando a importância e a visibilidade da juventude na participação em movimentos populares e suas lutas. Michele Vieira da Pastoral da Juventude Diocesana, fez uma breve memória dos 15 anos do Grito dos Excluídos, enfatizando o referencial dos jovens nestes ambientes, que possibilitam uma reflexão sobre as propostas de políticas públicas voltadas para os jovens.
O encontro teve como facilitador o Pedagogo Eduardo Celso Carvalho, com o tema “Violência e Banalidade” abordando sobre os vários aspectos da violência tanto social como pessoal.
Estiveram presentes 37 jovens, público que vem se tornando as vítimas mais vulneráveis da sociedade atual.
Foram trabalhadas temáticas atuais, englobando mídia, músicas, e a realidade em que estão inseridos, ressaltando que alguns momentos tais situações, passavam despercebidos pela ausência crítica e reflexiva, devido a uma sociedade imediatista e de consumo, levada a uma banalização da injustiça social e das vivências em torno de um ambiente “contaminado” pela “sociedade da esperteza”.
A reflexão partiu de um contexto macro, numa visão mais global em que os jovens estavam como espectadores da realidade, e por fim foram convidados a uma auto reflexão; partindo de posturas cotidianas, e sempre pautadas em inquietações sobre “Quais as violências que fazemos contra nós e ao outro?”.
A Semana Social, que teve por objetivo fazer ecoar o grito da grande parcela da sociedade, que encontram com seus gritos silenciados, apresentam o grito da juventude dos bairros populares, que clamam por justiça, implantação de potílicas públicas, educação qualificada, entre outros anseios explicitados pelos jovens que se encontravam presentes neste espaço, levando para seus lares a necessidade e vontade de mudança.
Pastoral Carcerária
Na Pastoral Carcerária, as reflexões aconteceram no dia do Encontro Oração e Diálogo, atividade desenvolvida para os liberados condicionais, egressos e seus familiares, tendo em vista uma relação integrada com formações nos quatro âmbitos da pessoa humana:familiar, educação, saúde e profissão.
Devido a exclusão que este grupo enfrenta e sofre, o encontro aconteceu no Centro Arquidiocesano de Pastorais, no Garcia, e não na comunidade local, como proposto.
Foi refletido, partilhado e rezado o tema a partir da campanha da fraternidade: Fraternidade e Segurança Pública.
A facilitadora Conceição Cruz, da Pastoral da Criança utilizou O DVD da Campanha da Fraternidade, onde os presentes tiveram oportunidade de verem o bloco 01 e o 05, este trata do Bairro Ângela – SP – O jardim da vida.
A reflexão girou em torno de como é possível, pela força da união das pessoas, se transformar um bairro de violência e medo, em espaço de tranqüilidade e paz para todos. Ter uma vida nova, de respeito, amor, segurança e fraternidade onde cada um deu seu apoio, sua presença amiga no compromisso de mudança para melhor e assim surgiu vida nova e paz para todos.
Foi discutido o sentido do Grito dos Excluídos. Dos presentes, nenhum participou, mas a Pastoral Carcerária estava lá em nome destes seres humanos, falando, testemunhando, rezando os sinais de vida e sendo presença marcante para que a fraternidade, a paz, o respeito, aconteça nesta sociedade tão cruel e descomprometida com o bem estar da população de nossa cidade.
Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Guadalupe
Primeiro dia de reflexão
1° Momento:
Refletiu-se o Salmo 14 que deu uma iluminação para começarem a noite de diálogo sobre a violência, ressaltando a corrupção que existe na sociedade e a postura do homem que se comporta como se fosse o próprio Deus e se comportando dessa forma constroem uma estrutura social opressora e massacrante.
2° Momento:
A Delegada Joana Angélica, convidada para debater o tema proposto “A violência e suas dimensões”. Ressaltou que, ‘’A violência vai se solidificando dia-a-dia, expressada nos pequenos e simples gestos que passam despercebidos e que contribuem para esta solidificação. Desde o simples bom dia que não é pronunciado, da pequena indiferença, da recusa do outro, daquela pessoa que bate a nossa porta e que é atendido como um ser insignificante’’, e que: ’’Esses fatos que são simples e pequenos acabam sendo o impulso para despertar algo que não é produtivo e gerar grandes problemas para a sociedade’’.
3° Momento: Debate
No momento das perguntas, a comunidade se manifestou com inúmeras dúvidas.
A primeira pergunta foi feita por um senhor, que vivia um problema familiar e que gostaria de saber qual seria a possível ‘’solução’’.
Houve ainda uma professora que questionou sobre como agir diante do aluno ou alguém que desacatar um funcionário público.
Outro questionamento foi baseado por uma fala de um Jogador de futebol que dizia: ’’Eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo’’, levando para a questão da polícia é isso que também acontece? Em sua opinião, qual seria a postura da polícia?Porque para nós cidadãos de bem, o que nos parece é que a policia finge que trabalha!
“Queremos saber sobre a atuação de alguns policiais ao invadir as casas, principalmente nos bairros periféricos, que geralmente acontece quando eles prendem ou matar alguém. Será que a polícia tem o direito de matar um jovem ou qualquer pessoa que dentro da sua própria casa?O que a Senhora acha disso?”
Quais são as atitudes que devemos tomar para denunciar os descasos das autoridades?
Qual é o grau de investigação de crimes feitos por policiais. Porque pelo que nos parece é que existe imunidade para os crimes causados pelos mesmos.
Segundo dia de reflexão
1° Momento:
Para motivação do conteúdo utilizou-se o canto “Lutar e crer...”
2° Momento: Testemunhos pessoais
Primeiro testemunho
Testemunho de uma pessoa que perdeu seu irmão e seu primo, assassinados em função das drogas. Segundo a relatora ele era uma pessoa que demonstrava interesse pelos estudos e que apesar de ser um portador de deficiência auditiva não sentia rejeição da família. Durante a sua adolescência, teve várias qualificações pessoais e profissionais, através de acompanhamentos da família e de profissionais qualificados. Mas, segundo aqueles que defendiam e apostavam na sua vida promiscua e para mantê-lo no crime usavam o argumento que por ser deficiente não seria preso. Passou 6 meses afastado da sua família e ao voltar,foi assassinado cruelmente por estar envolvido com as drogas.
A mesma experimentou a violência familiar provocada pelas drogas. O primo matou o outro por envolvimento com drogas.
Segundo Testemunho
Pai de 04 filhos. Um dos seus filhos teve um relacionamento que não agradava, antes de se envolver com uma moça, era um rapaz que estudava,trabalhava e que exercia muito bem suas atividades.Em uma noite,indo para uma festa com sua namorada se envolveu em uma discussão, retornou a sua casa, pegou uma arma, voltou para o local da festa e deu um tiro no rapaz. A vítima se recuperou e depois de sair do hospital o matou. Segundo seu pai, desconhecia a existência da arma.
Apresentação das equipes:
Propostas oriundas dos trabalhos de grupo:
- Educação de/com qualidade;
- Área de lazer;
- Acesso à cultura;
- Formação cristã;
- Educação e participação política;
- Caminhadas de protesto;
- Presença dos órgãos públicos nas comunidades.
"Para minimizar a violência é preciso ter uma atenção voltada para a família. Ter uma base cristã solidificada que proporcione uma ideologia".
Igreja da Santíssima Trindade - Água de Meninos
No dia 02 de setembro de 2009, aconteceu o encontro na Igreja da Santíssima Trindade, estiveram presentes 35 participantes.
O encontro que refletiu o tema “Comunicação Social e Segurança nas ruas”, teve como assessoria a equipe do Projeto Levanta-te e anda, que trabalha com pessoa em situação de rua.
Houve uma dinâmica como ponto de partida do encontro; a mensagem central e o sentido da dinâmica foi o respeito e o diálogo que é preciso ter nas relações humanas. Valorizar o semelhante e está próximo do outro, também é segurança.
O tema foi baseado numa matéria do jornal Aurora da Rua, que discorria sobre o carinho e atenção de Maria, uma moradora de rua ( Praça da piedade), que sempre tinha um pedaço de pão para repartir.
Nos cinco grupos houve discussão sobre o tema da noite, acrescido do conteúdo do recorte do jornal, que falava de outro olhar sobre a questão de segurança nas ruas.
A plenária se deu com a metodologia de bate papo; aconteceram os testemunhos dos moradores, que desabafava do descaso das autoridades públicas e outras vezes por parte dos próprios, que também usam de desprezo e falta de atenção para com o outro.
O encontro encerrou com a oração final.
|